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  • Foto do escritorAndré Carvalho

"Telas brilhantes, mentes apagadas."

Atualizado: 8 de fev. de 2023



Os perigos das telas para as nossas crianças.


O livro, lançado em 2019 – La Fabrique du crétin digital, fruto de uma revisão bibliográfica intensiva, escrito pelo neurocientista francês - Michel Desmurget, traz um alerta sobre a influência deletéria do consumo exagerado recreativo digital no desenvolvimento infantil.


Dentre outros aspectos abordados neste livro, estão:


1 - Nossas crianças dedicam um tempo fenomenal e crescente em atividades digitais recreativas, que pode ser combatido com eficácia, estabelecendo regras claras de utilização, que devem ser negociadas com a criança maior, tais como: nada de tela antes da escola, nem à noite antes de ir dormir ou durante os deveres de casa, por exemplo. Portanto, o ideal é: NADA de tela recreativa antes dos 6 anos e, a partir dos 6 anos, não mais de 60 minutos por dia!


2 - Quanto mais os alunos assistem à TV, jogam vídeo games, utilizam o smartphone, mais eles são ativos nas redes sociais e mais suas notas despencam, uma vez que as utilizações lúdicas desfavoráveis destes instrumentos, devoram o uso educativo formal. O digital é, antes de tudo, um meio de reduzir as despesas educativas, substituindo o homem pela máquina, lançando o professor qualificado para a longa lista de espécies ameaçadas.


3 - As telas arruínam três pilares essenciais do desenvolvimento infantil:


a) Interações humanas - quanto mais tempo dedicado às telas, mais as trocas intrafamiliares enfraquecem em quantidade e qualidade. Os pais também mergulham no mundo digital e ficam cada vez menos disponíveis para brincar e ouvir os seus filhos. O impacto do prejuízo destas relações é refletido na explosão de distúrbios comportamentais tais como: ansiedade, hiperatividade, depressão, impulsividade, agressividade e tentativa de suicídio.


b) Linguagem – telas em excesso, alteram o volume e a qualidade das trocas verbais e dificultam a entrada no mundo da escrita. Os conteúdos audiovisuais ‘educativos” podem ensinar alguns elementos lexicais à criança, porém os ganhos são infinitamente mais demorados, fragmentados e superficiais do que aqueles oferecidos pela “vida real”.


c) Concentração – as novas gerações estão imersas num ambiente digital perigosamente distrativo. O cérebro humano não foi concebido para uma grande densidade de demandas externas. Submetido a um fluxo sensorial constante, à execução de múltiplas tarefas ao mesmo tempo, ele sofre e se constrói mal, o que leva à uma devastação da capacidade de prestar atenção, com graves prejuízos na memória e no aprendizado.


4 - O consumo de telas recreativas tem um impacto muito negativo sobre a saúde de nossas crianças e adolescentes, prejudicando três pilares essenciais:


a) As telas afetam intensamente o sono, (sua duração – deita-se mais tarde e sua qualidade – sono superficial e pouco reparador). Sabe-se que o sono é vital para o desenvolvimento físico, emocional e intelectual do indivíduo;

b) As telas aumentam expressivamente o grau de sedentarismo, pois reduz, de maneira significativa, a prática de atividade física e, consequentemente, favorece o aparecimento de obesidade, de doenças cardiovasculares, de diabetes tipo 2 e distúrbios imunológicos. Enfim, ficar sentado mata!

c) Os conteúdos de risco (sexuais, tabagistas, alcoólicos, hipercalóricos e violentos) abundam no universo digital e são prescritores de normas e comportamentos, muitas vezes danosos, que favorecem a ocorrência de acidentes, principalmente em estudantes de ensino médio (estímulo ao tabagismo, prática sexual desprotegida, experimentação de “novidades”, comportamentos desafiadores, por excesso de confiança e imprudência, dentre outros.


Por fim, é preciso repetir que menos telas significa mais vida! Converse com seu filho, troque ideias com ele! Estimule-o à prática de esportes, a tocar um instrumento, a desenhar, a cantar, a fazer teatro e, principalmente, estimule-o à leitura! Se o livro parecer sem graça, não hesite, a mostrar ao seu filho, as histórias em quadrinhos.

Seu filho vai te agradecer pela fertilidade libertadora do esporte, do pensamento e da cultura no lugar da esterilidade perniciosa das telas.

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